O Ministério Público de Rondônia (MPRO) denunciou João Cândido da Costa Junior, o estudante acusado de matar a facadas uma professora universitária, no dia 6 de fevereiro, no Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho. A vítima, Juliana Mattos de Lima Santiago, lecionava no curso de direito da instituição e também era agente da Polícia Civil.

A denúncia foi assinada pelo coordenador do Núcleo de Apoio ao Júri do MPRO (NAJ), promotor de Justiça Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues e pelo promotor da Violência Doméstica, Júlio César Tarrafa.

Conforme o inquérito policial, o denunciado era aluno da professora. Na noite do crime, ele teria ido à aula já com um punhal. Após o término da atividade, aguardou que os colegas deixassem a sala e permaneceu a sós com a docente.

Ainda conforme a apuração, o estudante iniciou o ataque de forma repentina. A professora foi atingida por quatro golpes de faca, inclusive no coração. A vítima morreu quando estava sendo socorrida.

A denúncia aponta que o crime foi cometido por motivo torpe. O acusado não aceitava a recusa da professora às suas investidas e teria agido movido por sentimento de posse, menosprezando a autonomia da vítima.

O Ministério Público também sustenta que houve emprego de meio cruel; além disso, o denunciado teria utilizado recurso que dificultou a defesa, ao esperar que a sala ficasse vazia para iniciar o ataque, surpreendendo a vítima.

O fato de o crime ter ocorrido nas dependências de instituição de ensino também foi considerado circunstância agravante.

Relembre o caso

Na noite de 6 de fevereiro, a população rondoniense foi surpreendida com um caso chocante: dentro do Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho, um aluno teria esfaqueado uma professora até ser contido por colegas e funcionários. Momentos depois, após a confirmação do óbito, o nome da vítima foi divulgado: Juliana Mattos Lima Santiago, 41 anos, professora de Direito e escrivã da Polícia Civil.

Segundo as primeiras informações divulgadas pela imprensa local, o suspeito de ser autor do crime, João Cândido da Costa Junior, um jovem de 24 anos matriculado no curso de Direito da instituição de ensino, afirmou em depoimento ter usado uma faca que teria sido entregue pela vítima, o que foi descartado pela investigação do caso, assim como a versão de que o suspeito e a vítima teriam tido um relacionamento.

“A Polícia Civil trabalha com provas e o que ficou levantado até o presente momento é que a vítima, Juliana, não teve relacionamento amoroso com o suposto infrator. Ao contrário, ela impôs limites contra o tratamento que o infrator teria demonstrado em relação a ela”, afirmou a delegada responsável pelo caso, Leisaloma Carvalho, em coletiva de imprensa da Polícia Civil que aconteceu em 9 de fevereiro.

“Ficou demonstrado aqui nos autos que o infrator tentou por várias vezes aproximação com a professora de forma a extrapolar a relação ‘professor e aluno’, inclusive, Juliana, há registros, informou o aluno que aquilo era proibido e poderia inclusive causar demissão na faculdade uma vez que vai contra as normas e regimentos da faculdade qualquer tipo de relacionamento íntimo entre aluno e professor”, acrescentou a delegada.

Inconformado com a rejeição, o suposto infrator teria se incomodado ao ver que a professora publicou na rede social uma fotografia com o namorado e enviado mensagem demonstrando um certo ciúmes ao dizer que “havia perdido para a concorrência”.

“O que fica claro até esse momento é que as investigações apontam para o fato dele não suportar a professora ter aceitado as suas investidas, [e sentir] uma frustração, por não ter sido correspondido amorosamente. É o que tudo indica com base nas provas técnicas e nos elementos de informações que obtemos. É claro que a investigação segue para que a gente possa esclarecer todos os contornos desse crime”, enfatizou.

O suspeito foi preso após o ocorrido e sua prisão foi mantida após decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia. Ele está na Casa de Detenção José Mario Alves da Silva, em Porto Velho.

Mobilização pede justiça

Em 10 de fevereiro, centenas de pessoas participaram do ato “Justiça por Juliana Santiago”, organizado pela Unidade Popular (UP-RO) e os centros acadêmicos dos cursos de Psicologia e Direito da FIMCA.

A manifestação reuniu estudantes, professores e apoiadores que pediram responsabilização do acusado e medidas de prevenção à violência contra mulheres.

Com cartazes e palavras de ordem, muitos demonstraram indignação com o caso, exigindo a punição do acusado e denunciando a vulnerabilidade das mulheres em meio a uma ascensão de casos de feminicídio. Além disso, o ato teve outro momento em homenagem a vítima, com balões brancos e velas.

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