Uma residência localizada no setor chacareiro do bairro Jardim Santana, em Porto Velho, escondia o que as autoridades estão chamando de um “crime de barbárie absoluta”. Os detalhes da morte da adolescente Marta, de 16 anos, indicam que a vítima era torturada e mantida sob cárcere privado pela própria família. Vídeos, fotos e áudios divulgadas nas redes sociais mostram que o pai, Callebe José da Silva, e a madrasta, Ivanice Farias de Souza, são fervorosos pastores evangélicos.
Conforme o laudo preliminar, o corpo da adolescente apresentava sinais de desnutrição severa, dentes quebrados, múltiplas lesões, fratura exposta no braço e na clavícula, além de feridas profundas nas costas. Em um dos ferimentos foi constatado a presença de larvas.
De acordo com os vizinhos, Marta não era vista na região desde o Natal e a justificativa apresentada pelo pai e a madrasta era que a menina estava em um “retiro espiritual”. A desculpa escondia os crimes que eram cometidos dentro da residência da família.
Enquanto os vizinhos pensavam que Marta estava em um retiro espiritual, ela vivia um verdadeiro inferno dentro de casa, submetida a uma rotina de violência doméstica.
Em depoimento, o pai chegou a admitir que mantinha a filha amarrada com fios elétricos porque “ela tentou fugir” e que teria cortado o cabelo da filha, um ato de fundamentalismo distorcido de reforço da submissão feminina. Além disso, a adolescente era impedida de usar o banheiro e obrigada a usar fraldas descartáveis.
Um dos pontos mais críticos apresentados pela Polícia Civil é a omissão de socorro fundamentada em uma fé cega ou deliberadamente negligente. As investigações apontam que família optou pelo isolamento ao invés de levar a adolescente ao hospital.
A madrasta e a avó faziam cuidados paliativos enquanto Marta definhava com ossos expostos e infecções por larvas. “É o demônio destruindo os ossos dela”, afirma uma familiar da menina em um vídeo divulgado nas redes sociais onde é possível ver o estado dos ferimentos.
O delegado responsável pelo caso destacou que os suspeitos tinham plena ciência da gravidade e preferiram manter a vítima escondida, talvez esperando por uma recuperação divina. Áudio divulgado pelo Rondôniaovivo mostra a madrasta pedindo orações em um grupo da igreja alegando que a enteada estava “desenganada pelos médicos”.
O caso ganhou novos contornos com a descoberta de uma fogueira nos fundos da casa da família. Os policiais encontram roupas e um grande volume de fraldas da vítima sendo queimadas, o que seria um indício de que ela estaria nessa situação há meses.
O pai, a madrasta e a avó da adolescente foram indiciados por tortura com resultado de morte, cárcere privado e fraude processual por tentar destruir provas. Eles permanecem em prisão preventiva enquanto o processo corre sob o peso das acusações.
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