Para o pré-candidato a governador Samuel Costa (Rede Sustentabilidade), nascido e criado na Assembleia de Deus, onde foi “batizado nas águas”, templos religiosos não podem ser usados como palco para promover politicagem. Embora não congregue há quase dez anos, ele mantém o respeito pela instituição e destaca que considera a igreja um lugar de culto, oração, arrependimento e comunhão. “Política se faz nas ruas, no debate público, na construção de políticas públicas e não instrumentalizando a fé alheia”, ressalta.

No domingo (1), Costa usou as redes sociais para publicar uma crítica ao deputado federal Fernando Máximo e o deputado estadual Ezequiel Neiva, ambos do União Brasil, o senador Marcos Rogério (PL) e o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), que teriam participado uma cerimônia religiosa – que aconteceu na noite do último sábado (28) no Centro de Convenções da Assembleia de Deus, na capital rondoniense – com interesses eleitorais.

Em entrevista ao Rondônia Plural, Samuel Costa esclareceu os pontos de sua crítica e ressaltou a importância do debate sobre as verdadeiras intenções de políticos que participam de eventos religiosos em ano eleitoral.

Rondônia Plural — O que motivou sua crítica ao evento religioso realizado em Porto Velho?

Samuel Costa: O que deveria ser um momento exclusivamente espiritual acabou assumindo contornos políticos. Não é o fato de autoridades participarem de um culto que incomoda, mas o contexto pré-eleitoral. Parece que alguns reaparecem nos templos apenas em períodos estratégicos. São políticos que surgem para serem vistos e depois do pleito desaparecem.

Rondônia Plural — O senhor acredita que houve uso eleitoral do espaço religioso?

Samuel Costa: Na minha avaliação, sim. Quando lideranças políticas aparecem em eventos dessa natureza, em ano pré-eleitoral, é legítimo questionar a intenção. A casa de Deus não pode virar palco de politicagem. O templo é lugar de culto, oração, arrependimento e comunhão. Política se faz no debate público, não instrumentalizando a fé das pessoas.

Rondônia Plural — Entre os presentes no evento estavam políticos como Fernando Máximo, Marcos Rogério, Léo Moraes e Ezequiel Neiva. Você acha que presença deles é, por si só, um problema?

Samuel Costa: Não. Qualquer cidadão pode frequentar uma igreja. O ponto não é a presença, é a intenção. Quando a participação parece parte de uma estratégia de visibilidade, isso precisa ser debatido. O espaço religioso não pode ser transformado em vitrine eleitoral.

Rondônia Plural — O senhor tem uma relação pessoal com a igreja? Isso influencia sua posição?

Samuel Costa: Eu nasci e fui criado na Assembleia de Deus, fui batizado nas águas e tenho profundo respeito pela igreja. Mesmo não congregando há quase dez anos, continuo tendo respeito pela instituição e valorizando sua importância espiritual e social. Justamente por isso me preocupo quando vejo a fé sendo espetacularizada em períodos eleitorais por políticos Copa do Mundo.

Rondônia Plural — O que o senhor quer dizer com “políticos Copa do Mundo”?

Samuel Costa: São aqueles que aparecem só em momentos estratégicos. Vão aos cultos, tiram fotos, cumprimentam lideranças e somem depois da eleição. Existe um cálculo eleitoral claro: quem não é visto não é lembrado. O objetivo é manter o poder, não fortalecer a fé.

Rondônia Plural — Como o senhor vê a postura da comunidade evangélica diante desse cenário?

Samuel Costa: Existem pessoas conscientes, que sabem discernir e não se deixam levar por encenação. A fé não pode ser manipulada. Muitos fiéis sabem diferenciar presença sincera de estratégia política.

Rondônia Plural — Qual deveria ser, então, o limite entre fé e política?

Samuel Costa: Igrejas devem estar abertas a todos, inclusive autoridades políticas. Mas o espaço de culto não pode ser instrumentalizado. A manifestação de fé precisa ser legítima, não uma ferramenta de marketing eleitoral.

Rondônia Plural — Você acha que esse debate tende a crescer com a proximidade das eleições?

Samuel Costa: Quanto mais perto do calendário eleitoral, maior será a presença de políticos em templos e eventos religiosos. E com isso cresce também a responsabilidade de discutir ética, coerência e respeito à fé. Se o debater não acontecer, vamos levantar o tema, que precisa ser discutido com urgência em Rondônia.

Rondônia Plural — Para encerrar, qual é sua mensagem sobre esse tema?

Samuel Costa: Precisamos proteger o que é sagrado. A fé não pode ser usada como ferramenta de poder. Que Deus abençoe o nosso povo.

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