Localizado no centro histórico de Porto Velho, um dos principais símbolos da resistência democrática do antigo Território de Rondônia segue sob ocupação militar desde o Golpe de 1964.
O Palacete Rio Madeira, que já foi a sede da União Rondoniense dos Estudantes Secundaristas (URES) e abrigou o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi tomado à força pelo Regime Militar e nunca devolvido à sociedade civil.
Antes de ser tomado pelos militares, o prédio era um verdadeiro polo de mobilização política e cultural, revela o jornalista e escritor Zola Xavier da Silveira, autor do livro Uma Frente Popular no Oeste do Brasil.
“Dali partiram campanhas de alfabetização, apresentações teatrais para operários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e camponeses da região, além da organização de movimentos em defesa das reformas de base do governo João Goulart”, conta.
As chaves do imóvel foram entregues ao presidente da URES, João Lobo, pelo deputado federal Renato Medeiros, a principal liderança popular do Território de Rondônia, eleito em 1962, com apoio do movimento estudantil.
A repressão militar, no entanto, desmontou essa estrutura. O tenente-coronel Cunha Menezes, interventor nomeado após o Golpe, cedeu o edifício para uso das Forças Armadas, e a ocupação se estende até os dias de hoje, conforme denuncia Zola Xavier no livro.
Para o autor, a devolução do prédio à sociedade civil é um passo fundamental para a reconstrução da memória e da democracia em Rondônia. “Os militares deveriam agora por uma questão de coerência devolver esse prédio, pois esse prédio não pertence as Forças Armadas”, pontua.
Um caso semelhante aconteceu no Rio de Janeiro, onde a União Nacional dos Estudantes (UNE) recuperou em 2007, após um longo período de batalhas judiciais, o terreno onde ficava a sede da entidade, que foi incendiada e demolida pelos militares em 1964.
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Foto: Zola Xavier da Silveira/Acervo Pessoal
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