Na madrugada da última sexta-feira (2) um barco com ajuda humanitária rumo à Faixa de Gaza foi bombardeado por dois drones, próximo à costa de Malta, arquipélago localizado entre o sul da Itália e o norte do continente africano.
A embarcação, chamada Conscience, que pertence à missão humanitária Flotilha da Liberdade, levava ajuda emergencial e um grupo de voluntários de 21 países – entre eles o brasileiro Thiago Ávila e a jovem ambientalista sueca Greta Thunberg.
O ataque, que ocorreu às 00h23 no horário local, comprometeu a estrutura da embarcação e deixou parte dela inundada e sem energia elétrica.
Entre os ativistas da Flotilha da Liberdade está a advogada Ariadne Telles, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Rondônia, que saiu de Porto Velho para integrar a missão de levar ajuda humanitária ao povo palestino.
Ela não estava no barco atingido, mas estava prestes a embarcar com outros ativistas quando o ataque aconteceu. Desde o momento do bombardeio ela vem acompanhando de perto todas as movimentações e esforços para o resgate do barco e denúncia do ataque às autoridades internacionais.
“Nosso barco foi atingido e ficamos condições de chegar em Gaza. Estamos com medo de um novo ataque a qualquer momento”, afirmou a advogada.
De acordo com Ariadne, as únicas ações tomadas pela Guarda Costeira de Malta foi recolher os passaportes, remover a bandeira da embarcação e exigir que a tripulação abandonasse o barco — medidas que violam leis marítimas internacionais.
Ela conta ainda que houve uma tentativa de interceptação da embarcação. “Eles pediram para abandonar o barco. Eles queriam inutilizar nosso barco”, detalhou a ativista.
Em publicação nas redes sociais, a Flotilha da Liberdade explicou que, segundo as leis marítimas internacionais, se os ativistas abandonassem o barco, isso daria o direito de outras pessoas a roubá-lo.
“É um barco que foi muito caro para a gente. Estamos perdendo mais um barco, mais um ano de missão. Não sabemos até quando o barco vai ficar parado”, contou Ariadne.
“Nesse momento nossa missão nesse é salvar a tripulação que está lá de um outro ataque, evitar que o Conscience afunde, e de conseguir atracar o barco em Malta, onde a Guarda Costeira está impedindo a entrada em suas águas territoriais”, acrescentou.
Neste exato momento, o Conscience continua à deriva em águas internacionais. “Ontem tentamos chegar perto do barco, mas a Guarda Costeira impediu”, contou a advogada.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ariadne fez um apelo direto ao governo brasileiro e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): “Peço ao Itamaraty que proteja os brasileiros dessa missão e que acione as cortes internacionais contra os crimes cometidos. Peço à OAB para agir contra esse crime humanitário internacional!”
Em nota divulgada a imprensa, a Flotilha da Liberdade pediu que o governo de Malta garanta passagem segura e desimpedida para o barco e permita que delegações humanitárias atracadas em Malta tenham acesso à embarcação para prestar assistência.
O bloqueio israelense à Faixa de Gaza, que motivou a missão da Flotilha da Liberdade, impede há 18 anos a entrada de qualquer tipo de ajuda humanitária. Nos últimos 58 dias, o bloqueio tem sido total.
“Hoje faz 58 dias que não entra uma garrafa de água ou um saco de farinha em Gaza. Estima-se que neste exato momento mais de 2 milhões de palestinos – incluindo crianças – estejam enfrentando fome e sede extrema”, explica Ariadne.
Qual a relação de Israel com o ataque?
Para Thiago Ávila, Israel pode estar por trás do ataque. Em entrevista ao Plantão Opera Mundi, o ativista da Flotilha da Liberdade contou que, no momento do ataque, havia uma aeronave do modelo Hercules sobrevoando o local onde estava o barco. “Esse tipo de aeronave consegue liberar drones”, destacou.
“A gente sabe muito bem quem costuma fazer, a gente evita falar coisas categoricamente quando não são, mas nesse caso as investigações estão em andamento, mesmo que não seja eles [Israel] diretamente, a gente sabe que qualquer força, país, entidade, que fizesse algo contra nossa missão, estaria à serviço dos sionistas, que querem impedir que entre qualquer coisa em Gaza”, explicou.
Em nota, a Flotilha da Liberdade pediu que comunidade internacional condene essa agressão contra uma embarcação de ajuda humanitária desarmada, além de solicitar que embaixadores israelenses sejam convocados apara responder às violações de leis internacionais.
Flotilha da Liberdade
A missão da Flotilha da Liberdade tem como foco entregar alimentos, água e insumos médicos a Gaza, onde, segundo dados da ONU, a crise humanitária atingiu níveis catastróficos após bombardeios e bloqueios.
A Flotilha da Liberdade já havia sido atacada anteriormente, como em 2010, quando dez voluntários foram assassinados pelas forças israelenses.
De acordo com Ariadne Telles, o objetivo da missão é romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, considerado ilegal por diversas organizações internacionais e entidades de direitos humanos.
“Nosso lema é: quando os governos falham, nós navegamos. E os governos têm falhado com Gaza”, explicou a advogada.
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Foto: Flotilha da Liberdade
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