A manhã desta quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, começou diferente na cidade de Ariquemes. Quem passou em frente à unidade da multinacional Cargill se deparou com a frase “Agro é devastação!” pichada em letras grandes na entrada da empresa.

O ato, anônimo, rapidamente repercutiu nas redes sociais e provocou debates sobre os impactos do agronegócio na região.

Embora os representantes da empresa não tenham se manifestado até o momento, o recado deixou claro um sentimento que cresce entre parte da população, especialmente os mais jovens: a insatisfação com o discurso que o agronegócio é o motor de desenvolvimento local.

A crítica recai sobre o modelo agroexportador baseado na monocultura de soja, milho e outras commodities, voltado majoritariamente para o mercado externo.

Esse mesmo agronegócio é responsável por devastação ambiental, avanço sobre territórios de populações tradicionais, expulsão de pequenos produtores e precarização das relações de trabalho no campo.

Apesar de movimentar bilhões em exportações, o agronegócio pouco reverbera em melhorias concretas para quem vive nas cidades ou nas áreas rurais que não estão inseridas nas cadeias produtivas dominadas pelas grandes corporações.

O resultado é um ciclo de desigualdade: enquanto a elite ruralista acumula lucros, a maioria das pessoas convive com desemprego, insegurança alimentar e falta de acesso a políticas públicas.

O protesto simbólico em Ariquemes escancara essa contradição. A escolha da Cargill como alvo não é casual. A multinacional é uma das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo, operando diretamente na compra, transporte e exportação de grãos na Amazônia, e frequentemente é associada a denúncias sobre desmatamento, grilagem e violações socioambientais.

Ao contrário das campanhas publicitárias que tentam associar o agro à ideia de prosperidade e sustentabilidade, quem pichou a Cargill de Ariquemes quis deixar uma outra mensagem: para boa parte da população, o agro representa devastação, desigualdade e exclusão.

O caso segue sem autoria conhecida, mas o debate que ele levanta dificilmente será apagado tão cedo.

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