Na noite de 30 de maio, em Porto Velho, foi lançada a Caminhada Esperança, um movimento coletivo de organizações, sindicatos e partidos do campo progressista que se unem em uma “frente amplíssima” contra a extrema direita que cada dia mais cresce em todo o mundo.
Rondônia Plural apoia a ideia, mas devido ao nosso compromisso com a causa ambiental, sentimos que deveríamos trazer uma crítica com a intenção de trazer reflexões que consideramos importantes, pois no mundo em que vivemos hoje, quando o assunto é mudanças climáticas, não dá mais para ficar em cima do muro.
É muito importante que o campo progressista tente construir uma frente ampla, especialmente no cenário político atual do nosso estado. Mas isso precisa ser feito com responsabilidade, pois não dá para levantar a pauta ambiental e, na prática, votar a favor da PL da Devastação, como o senador Confúcio Moura (MDB) fez.
É constrangedor que o primeiro vídeo disponível na página da Caminhada Esperança apareça o senador, que foi governador de Rondônia, falando “enquanto existir floresta, nós existimos”.
Logo ele, o senador que votou a favor da PL da Devastação e até o momento não fez qualquer autocrítica sobre o quanto essa decisão de enfraquecer licenciamentos ambientais contribuirá para que florestas “deixem de existir”.
No cenário atual de mudanças climáticas, em que as populações mais vulneráveis são as mais afetadas, não existe mais a possibilidade de “defender as florestas” somente no discurso, precisamos de ações concretas.
Entre outras figuras questionáveis que fazem parte da iniciativa está o latifundiário, megaempresário e ex-senador Acir Gurgacz, o presidente do PDT que deixaria Leonel Brizola muito decepcionado.
Gurgacz – que é o principal financiador de campanhas políticas da Federação Brasil da Esperança – estava ali de mãos dadas com Confúcio Moura, do jeito que nossa política burguesa gosta, se colocando para o eleitorado como uma opção contra a extrema direita.
Mas que opção é essa se, na prática, serve o mesmo projeto de destruição ambiental promovido pelo agronegócio que está ao lado da extrema direita?
Sabemos que existem pessoas sérias – que respeitamos muito – envolvidas na Caminhada Esperança, muitas inclusive comprometidas com a pauta socioambiental, como é o caso da liderança indígena Neidinha Suruí e a militância do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Acreditamos que essas pessoas estão ali justamente para trazer contribuições da pauta socioambiental, assim como o SINTERO está ali para trazer contribuições da comunidade escolar e da pauta sindicalista.
Essas pessoas têm o nosso maior respeito e são o motivo que realmente trazem esperança dentro da “Caminhada Esperança”.
Entretanto, a dúvida que fica é: será que essas pessoas serão ouvidas, uma vez que quem está mobilizando o “movimento” tem um histórico de serventia aos interesses da elite ruralista e latifundiária? Esperamos – e desejamos – que sejam ouvidas, mas é difícil de acreditar.
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe uma resposta