Em outubro de 2024, Affonso Cândido (PL) foi eleito prefeito de Ji-Paraná com uma vitória expressiva: 64,27% dos votos. Em sua campanha, prometeu romper com o desgaste político deixado pela gestão de Isaú Fonseca e apresentou-se como um líder comprometido com o diálogo, a escuta ativa e o respeito às demandas populares.
O slogan “amor e respeito por Ji-Paraná” que estampou a campanha eleitoral de Affonso afastava a imagem dele da truculência e do autoritarismo que são marca registrada de seu partido.
Passados apenas seis meses de sua administração, o prefeito começa a se desprender da personagem criou durante a campanha eleitoral. A recente perseguição a servidores municipais que se mobilizam legitimamente por um reajuste salarial revela a verdadeira face do prefeito.
Os trabalhadores reivindicam o óbvio: o fim dos salários abaixo do mínimo. Hoje, o piso de várias categorias do serviço público municipal segue fixado em R$ 1.212, valor inferior ao salário mínimo vigente.
O próprio Affonso Cândido reconheceu em entrevista à imprensa que os servidores têm razão. Mas, ao invés de apresentar propostas concretas para resolver o problema, sua gestão responde com intimidação e assédio judicial.
No final de maio, os servidores planejavam fazer uma manifestação na 12° Rondônia Rural Show Internacional. Entretanto, o prefeito obteve uma liminar na Justiça proibindo a manifestação sindical sob pena de multa de até R$ 100 mil, em uma tentativa de silenciar os servidores.
Passado o episódio, os servidores se organizaram e fizeram uma nova mobilização, que resultou em uma comissão mista de servidores, vereadores e o presidente do sindicato e uma reunião que deveria ter acontecido na semana passada, porém, Affonso Cândido não apareceu.
Agora, o prefeito volta a mostrar as garras, impondo “transferências” a um dos servidores envolvidos na organização das manifestações. O caso do servidor Elizeu Paranha, punido por exercer seu direito à livre expressão e à luta coletiva, escancara a sede de vingança do Chefe do poder executivo municipal.
A tentativa de transferir arbitrariamente servidores que participam das manifestações, sem justificativa técnica ou administrativa, é um ato claro de retaliação. Trata-se de perseguição política disfarçada de “remanejamento funcional”.
Affonso Cândido ainda está no começo de seu mandato. Tem tempo — e responsabilidade — para corrigir o rumo antes que se consolide como mais uma liderança que usa a linguagem da paz para encobrir o autoritarismo.
Mas se continuar a tratar a mobilização dos trabalhadores como inimiga, estará não só deixando sua máscara cair, mas também afrontando princípios fundamentais da democracia: o direito à organização, à livre manifestação e à negociação coletiva.
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe um comentário