Em junho, um “catracaço” denunciou as condições insalubres do Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho, e deu início a uma ocupação que acabou reprimida por um pedido de reintegração de posse feito pela reitora Marília Pimentel.
De acordo com relatos de alunos, foram encontrados objetos inadequados e contaminantes nos alimentos disponíveis no RU, como pregos, fio dental, porca de parafuso, larvas, pedaços de barata, moscas e pedras.
Alguns estudantes teriam sido hospitalizados com infecção alimentar causada pelo consumo de alimentos servidos no restaurante da instituição, que está sob responsabilidade da empresa PUPO.
Desde dezembro de 2024, a empresa e a universidade deveriam ter o contrato oficialmente encerrado. Pelo menos foi isso que ficou definido em uma reunião do Fórum de Acompanhamento do RU, que pediu o encerramento do contrato no final do ano passado.
Além disso, foi emitido um pedido para a contratação emergencial de uma nova empresa, que atuaria provisoriamente até a conclusão do processo de licitação e a divulgação de um novo edital. No entanto, a reitoria ignorou o pedido e a PUPO continuou responsável pelo RU da UNIR.
Essas ocorrências motivaram a construção de uma manifestação organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) com apoio dos centros acadêmicos de Letras-Inglês, Pedagogia, Geografia, Psicologia e Medicina e da Executiva Rondoniense de Estudantes de Pedagogia (ExROEPe).
Ato I – Catracaço no RU
A manifestação começou às 12 h, em 5 de junho. Após discursarem e estenderem uma faixa com a frase “Contra os cortes na educação: Greve geral de ocupação”, os estudantes abriram as portas do restaurante e removeram barreiras, permitindo que toda comunidade acadêmica pudesse entrar sem pagar.
Durante a ocupação, os estudantes explicaram para os trabalhadores do RU os objetivos do protesto, recebendo apoio imediato. Os próprio alunos se dirigiram ao buffet e assumiram a responsabilidade de servir o almoço para toda comunidade acadêmica.
Naquele dia, mais de 200 refeições foram servidas para estudantes e trabalhadores, reforçando o compromisso dos organizadores com uma causa justa.
Às 13h30, os manifestantes foram à Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis (PROCEA), onde o Pró-Reitor, Daniel Delani, assinou um documento formalizando compromisso para solucionar os problemas denunciados.
Entre os pontos acordados, estavam a apuração de irregularidades, a publicação de um novo edital de licitação para que outras empresas pudessem concorrer a administração do RU e o compromisso de não perseguir alunos, funcionários terceirizados, visitantes, funcionários da PUPO ou professores que apoiaram a manifestação.
Ato 2 – Ocupação do PROCEA
Na tarde de 23 de junho, os estudantes ocuparam a Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis (PROCEA) reivindicando melhorias urgentes no Restaurante Universitário da UNIR.
A ocupação contou com a participação do DCE, dos centros acadêmicos de Inglês, Pedagogia, Geografia, estudantes de História, Filosofia, Ciência da Computação, Artes e Letras, além da ExROEPe.
Naquela altura, a PUPO havia demitido uma funcionária sob a acusação de colaboração ao catracaço, que começou no dia 5 e seguiu até dia 11 de junho.
O movimento negou que funcionária teria colaborado com a manifestação e exigiu a imediata readmissão dela, alegando que a demissão foi arbitrária e ilegal.
Os estudantes denunciaram ainda que, enquanto reivindicações básicas como alimentação digna, transporte funcional e condições adequadas de permanência estudantil são sistematicamente ignoradas sob a justificativa da “falta de verba”, a gestão Marília Pimentel enviou uma quantia significativa de verba para que a UNIR participasse da 12° Rondônia Rural Show Internacional, que aconteceu entre 26 a 31 de maio, em Ji-Paraná.
Ato 3 – A resposta de Marília
Após se manter em silêncio por um tempo considerável, a gestão Marília Pimentel partiu para o ataque.
Conforme os relatos, o PROCEA enviou um e-mail assinado por Viviane de Oliveira Bitencourte, Pró-Reitora de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis Substituta, sugerindo que a ocupação estava impedindo de servidores terem acesso às salas e equipamentos do PROCEA.
O DCE respondeu, através de uma nota divulgada à comunidade acadêmica, negando as acusações, criticando a postura do PROCEA e reafirmando o compromisso do movimento com a pauta da permanência estudantil.
De acordo com os estudantes, o e-mail tinha objetivo de deslegitimar as reinvindicações e neutralizar a indignação dos manifestantes. Entretanto, um novo ataque surpreenderia a todos.
Em 27 de junho, em um gesto autoritário, a reitora Marília Pimentel entrou com um pedido de reintegração de posse contra a ocupação estudantil.
Sem ouvir as reinvindicações dos alunos, a reitora mandou um oficial de justiça com uma ameaça clara e direta: se não desocupassem o local até o fim da tarde, seriam retirados a força pela polícia.
Final – Desocupação
Às 16h daquele 27 de junho, a desocupação do PROCEA aconteceu de forma pacífica. O prédio foi entregue limpo e preservado. Uma faixa estendida na fachada deixou uma mensagem final de resistência: “Voltaremos mais fortes e mais preparados”.
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