Na manhã desta sexta-feira (8), uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) na área Valdiro Chagas, em Machadinho d’Oeste, interior de Rondônia, resultou na morte de um camponês e no pânico generalizado entre famílias que vivem e trabalham na região. A ação ocorre justamente às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Porto Velho, prevista para ainda hoje.

Segundo denúncias da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO), helicópteros sobrevoaram a área em voos rasantes e disparos de arma de fogo foram efetuados, em uma operação que, até o momento, não teve justificativa legal apresentada à população.

De acordo com a organização, o próprio comandante do BOPE, conhecido como Braguinha, confirmou a morte do camponês em vídeo divulgado nas redes sociais, onde se refere ao homem assassinado como membro da “organização terrorista LCP”, em alusão à Liga dos Camponeses Pobres.

A ação ocorre em um momento simbólico: no mês em que se completam 30 anos do Massacre de Corumbiara, episódio da história de Rondônia em que dezenas de camponeses foram mortos por forças de segurança em uma ação repressiva contra ocupações de terra no estado. A data remete à histórica resistência camponesa de Santa Elina, símbolo da luta pela terra no Brasil.

“É inaceitável que, justamente neste contexto, se repita mais um capítulo da guerra contra os pobres do campo”, afirma a nota da ABRAPO, que acusa o BOPE de atuar como “braço armado dos latifundiários de Rondônia” e cobra investigação urgente dos grupos paramilitares presentes, inclusive, na cúpula das forças policiais estaduais.

Além de denunciar a falta de ordem judicial e de justificativas legais para a operação, a associação cobra a imediata retirada das forças policiais da região, a responsabilização dos envolvidos, garantias de segurança para as famílias camponesas e um posicionamento claro das autoridades, em especial do presidente Lula, que estará no estado no mesmo dia em que a operação foi deflagrada.

“A violência contra o povo não pode mais ser tolerada. Não esqueceremos Corumbiara, nem permitiremos que se repita”, conclui a nota, que alerta que a operação ainda está em curso e que o número de vítimas pode aumentar se não houver uma intervenção imediata.

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