Rondônia, um dos estados com maior incidência de conflitos agrários no Brasil, será palco, nos dias 28 e 29 de março, do Tribunal Popular Contra os Crimes do Latifúndio. O encontro acontece no auditório do SINTERO, em Porto Velho, e pretende dar visibilidade às denúncias de violência no campo, reunindo organizações sociais, jurados populares e testemunhas.
De acordo com o relatório Conflitos no Campo Brasil 2024, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado registrou 132 conflitos naquele ano, afetando mais de 54 mil pessoas. Os dados reforçam um histórico de violência agrária que, em diversos momentos, colocou Rondônia entre os estados mais críticos do país nesse tipo de ocorrência.
O Tribunal Popular surge como um espaço de denúncia pública, no qual crimes atribuídos ao Estado e ao latifúndio são apresentados por meio de relatos de vítimas e testemunhas. Ao final, um corpo de jurados populares emite uma sentença simbólica, reafirmando o direito histórico de resistência e julgamento por parte das populações atingidas.
Mais do que um ato simbólico, a iniciativa cumpre um papel político e social ao articular movimentos e ampliar a pressão por responsabilização diante de violações de direitos humanos no campo. A proposta também busca fortalecer a mobilização popular e projetar, em nível nacional, as lutas e resistências das comunidades camponesas.
Experiências recentes demonstram o alcance da iniciativa. Em 2024, um Tribunal Popular realizado em Junco do Maranhão, organizado pela Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO) e pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), evidenciou o potencial de mobilização da ação. Em 2025, nova edição em Barro Branco reafirmou a capacidade do instrumento de gerar repercussão política e fortalecer a organização popular.
Além do Tribunal, a programação inclui a segunda Missão Nacional de Solidariedade às famílias camponesas da Área Tiago Campin dos Santos, marcada para o dia 30 de março, também em Porto Velho. A iniciativa busca apoiar centenas de famílias envolvidas na luta pelo acesso à terra.
Os organizadores convocam a participação de entidades, movimentos sociais e apoiadores da causa agrária, destacando a importância do engajamento coletivo na defesa do direito à terra. Segundo eles, o momento exige posicionamento diante das violações e fortalecimento das redes de solidariedade em apoio às populações do campo.
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