O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota à imprensa em defesa da soberania nacional e do combate às facções criminosas no Brasil. No texto, o chefe do Executivo afirma que o país mantém uma atuação permanente contra organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias armadas, classificadas por ele como responsáveis por espalhar terror em diversas comunidades brasileiras.

Segundo Lula, o combate ao crime organizado continuará sendo prioridade do Estado brasileiro. O presidente destacou que as facções atuam principalmente por interesses financeiros ligados ao tráfico de drogas e armas, diferenciando essas organizações de grupos ligados ao terrorismo internacional de motivação ideológica, política ou religiosa.

Na nota, Lula também criticou o que chamou de tentativa de manipulação política do tema da segurança pública. Sem citar nomes diretamente no início do texto, o presidente afirmou que “falsos patriotas” estariam buscando apoio de autoridades estrangeiras para interferir em assuntos internos do Brasil. Em seguida, acusou integrantes da família Bolsonaro de viajarem aos Estados Unidos para defender medidas de intervenção contra o país.

“O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, afirmou o presidente. Lula ainda declarou que a soberania nacional é “inegociável” e que cabe apenas às instituições brasileiras definir como o crime deve ser combatido no território nacional.

O presidente também ressaltou a aprovação recente de uma lei de combate às facções e milícias, que prevê penas de até 80 anos de prisão, classificadas por ele como as mais severas da legislação brasileira. Lula citou ainda o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, voltado ao enfrentamento das organizações criminosas desde a atuação nas ruas até os esquemas financeiros de lavagem de dinheiro.

Outro ponto abordado na nota foi a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Lula afirmou que o Brasil mantém parcerias históricas com diversos países, incluindo os Estados Unidos, e revelou que o governo brasileiro apresentou, em abril deste ano, uma proposta ao Departamento de Estado norte-americano para ampliar ações conjuntas de inteligência, controle da lavagem de dinheiro e combate ao tráfico internacional de armas.

Apesar de defender a cooperação entre países, o presidente alertou para os riscos de medidas unilaterais impostas por governos estrangeiros. Segundo Lula, ações externas sem negociação podem prejudicar o compartilhamento de informações entre as polícias, afetar o sistema financeiro brasileiro e atingir ferramentas nacionais como o PIX.

Na avaliação do presidente, esse tipo de iniciativa pode representar um retrocesso no combate ao crime, além de gerar prejuízos econômicos e colocar vidas em risco. Ao encerrar a nota, Lula reiterou que o Brasil não aceitará pressões externas sobre temas internos relacionados à segurança pública e à economia nacional.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

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