O Estado brasileiro apresentou um pedido formal de desculpas às famílias do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips durante cerimônia realizada nesta quarta-feira (11), em Brasília. A retratação foi feita pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Sidônio Palmeira, durante evento de homenagem aos dois defensores da Amazônia, assassinados em 2022 no Vale do Javari, no Amazonas.
O pedido de desculpas ocorreu no âmbito de um compromisso assumido pelo Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em seu pronunciamento, o ministro reconheceu os discursos difamatórios e de ódio direcionados a Bruno e Dom durante o período de seu desaparecimento e após a confirmação de suas mortes.
“Temos a tranquilidade e legitimidade de pedir desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio que foram proferidos contra ambos no contexto do seu desaparecimento e morte em 2022”, afirmou Sidônio Palmeira.
A homenagem integrou a cerimônia de premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, iniciativa voltada à valorização do jornalismo, da liberdade de expressão e do direito à informação. Durante o discurso, o ministro destacou o legado deixado pelos dois profissionais na defesa dos povos indígenas, do meio ambiente e da democracia.
Segundo Sidônio, Bruno Pereira e Dom Phillips representam exemplos de compromisso com o povo brasileiro e de enfrentamento às desigualdades, aos privilégios e ao crime organizado que atua na Amazônia. Ele ressaltou que a atuação dos dois ocorreu em um contexto marcado por riscos constantes para aqueles que denunciam atividades ilegais e defendem direitos coletivos.
O ministro também reafirmou o compromisso do governo federal com a proteção de defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas. Ao mencionar a situação da Terra Indígena Yanomami, destacou ações adotadas pelo atual governo para combater crimes ambientais, afirmando que houve redução de 99% das novas áreas de garimpo ilegal no território.
Durante a fala, Sidônio lembrou que Dom Phillips realizava um trabalho jornalístico voltado a chamar atenção para os desafios enfrentados pelas populações amazônicas, enquanto Bruno Pereira atuava diretamente no apoio aos povos indígenas do Vale do Javari, mesmo após se licenciar da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O ministro também reconheceu a importância da mobilização popular na busca por justiça. Segundo ele, os povos indígenas da região tiveram papel decisivo na localização dos corpos, enquanto jornalistas locais e comunicadores populares contribuíram para a divulgação de informações confiáveis sobre o caso.
Ao encerrar o pronunciamento, Sidônio afirmou que a cerimônia simboliza o compromisso do Estado brasileiro com os direitos humanos e com a preservação da memória de Bruno Pereira e Dom Phillips. “Ainda não chegamos aonde queremos, mas estamos ao lado do povo brasileiro nessa direção”, declarou.
Bruno Pereira e Dom Phillips foram assassinados em junho de 2022 durante uma viagem pelo Vale do Javari, uma das regiões mais sensíveis da Amazônia brasileira devido à presença de atividades ilegais e conflitos envolvendo territórios indígenas. O caso teve ampla repercussão internacional e se tornou símbolo dos desafios enfrentados por defensores do meio ambiente, dos direitos indígenas e da liberdade de imprensa no Brasil.
*****
Foto: Secom/Divulgação
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe uma resposta