O Governo Federal anunciou, na última quinta-feira (16), um conjunto de medidas para minimizar os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras. Entre as ações previstas estão linhas de apoio financeiro às empresas afetadas, ampliação de instrumentos de crédito, incentivo à abertura de novos mercados internacionais e a continuidade das negociações diplomáticas com o governo norte-americano.
As medidas foram apresentadas em entrevista coletiva realizada em Brasília com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de diferentes áreas, do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães.
Durante o anúncio, Alckmin afirmou que o governo prepara um programa específico para apoiar os setores mais atingidos pela decisão dos Estados Unidos e destacou que instituições como a ApexBrasil e o BNDES deverão reforçar as estratégias de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. O vice-presidente também informou que o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e voltar a contestar a medida na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a equipe econômica avalia que a sobretaxa não compromete a estabilidade macroeconômica do país, embora possa provocar impactos relevantes em segmentos específicos da economia. O governo pretende realizar novas reuniões com representantes dos setores afetados para definir medidas direcionadas de apoio e preservação dos empregos.
Entre os segmentos mais expostos às novas tarifas estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Dados apresentados pelo ministério indicam que, considerando a pauta exportadora de 2024, cerca de 18% das vendas brasileiras para os Estados Unidos seriam atingidas pela nova tarifa, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Com base nas exportações de 2025, o percentual afetado seria de cerca de 15%, ou US$ 5,8 bilhões. Apesar disso, o governo afirma que aproximadamente 57% das exportações brasileiras continuarão sem incidência da nova sobretaxa, enquanto outros 24% já estavam sujeitos a restrições comerciais anteriores, principalmente nos setores de aço, alumínio e automóveis.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil mantém diálogo com autoridades norte-americanas desde 2025 e continuará buscando uma solução negociada para a disputa comercial. Segundo ele, o governo participou de consultas promovidas pelos Estados Unidos e apresentou propostas para evitar a adoção das novas tarifas.
Durante a coletiva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também respondeu às críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema Pix. Ele afirmou que a plataforma brasileira é uma infraestrutura pública de pagamentos, destacou que o mercado de cartões de crédito continuou crescendo após sua implantação e reiterou que o serviço permanecerá gratuito para pessoas físicas.
Na área ambiental, o ministro João Paulo Capobianco contestou informações utilizadas na investigação comercial norte-americana, afirmando que a madeira exportada pelo Brasil é certificada e que o país reduziu o desmatamento em 50% nos últimos três anos. Já a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, disse que os esclarecimentos apresentados pelo Brasil sobre políticas de combate à corrupção não foram considerados adequadamente pelas autoridades dos Estados Unidos.
A sobretaxa foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisou temas como pagamentos digitais, regulação de plataformas, propriedade intelectual, políticas ambientais e combate à corrupção.
Segundo o governo brasileiro, durante a consulta pública realizada pelo USTR, a maioria das manifestações apresentadas por empresas e entidades dos dois países se posicionou contra a adoção das novas tarifas. O Executivo afirma que continuará acompanhando os efeitos da medida e adotará as providências diplomáticas, comerciais e jurídicas consideradas necessárias.
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