Trabalhadores da AmazonBio Indústria e Comércio de Biodiesel da Amazônia Ltda, do Grupo BBF, denunciaram uma série de irregularidades trabalhistas e notificaram formalmente a empresa sobre a possibilidade de paralisação das atividades em usinas termelétricas de Rondônia. A medida também envolve a tomadora de serviços Energisa Rondônia – Distribuidora de Energia S.A., que pode ser responsabilizada caso não haja solução para o impasse.

De acordo com documento obtido pela reportagem, a decisão de paralisação foi tomada na assembleia de trabalhadores. Entre os principais problemas apontados estão atrasos frequentes no pagamento de salários, férias usufruídas sem remuneração antecipada, horas extras não quitadas e pendências no pagamento do 13º salário.

A notificação, fundamentada na Lei nº 7.783/1989 e no artigo 9º da Constituição Federal, estabelece prazo legal antes do início do movimento, previsto para ocorrer caso as irregularidades não sejam resolvidas.

Além do documento oficial, um trabalhador que preferiu não se identificar por medo de represálias relatou um cenário de dificuldades financeiras e desgaste emocional entre os funcionários.

“Trabalhamos na empresa AmazonBio, que presta serviço para Energisa, então o contratante é a Energisa, nós somos terceirizados. O pagamento fica sempre atrasado, dois meses devendo e pagam só um. O vale-alimentação também está atrasado e o valor (R$ 250) está defasado. Nosso FGTS não é depositado desde o final de 2023, embora venha descontado em folha. Estamos praticamente à ‘Deus dará’”, afirmou.

Segundo o relato, o único benefício mantido em dia é o plano de saúde. Ainda assim, a situação tem levado trabalhadores ao endividamento, com contas atrasadas e inclusão em cadastros de inadimplência.

“Tem gente com nome no SERASA, passando necessidade, com o psicológico abalado. O estresse está a mil. Muitos querem parar tudo, mas estão tentando fazer isso dentro da lei, com apoio de advogado e sindicato”, acrescentou.

O movimento de trabalhadores abrange 12 unidades de usinas termelétricas (UTEs) da AmazonBio no estado, incluindo localidades como Calama, Nazaré, São Carlos e Porto Rolim, entre outras. “Só de operadores são 48 pessoas, além de mecânicos, eletricistas e os profissionais que atuam no escritório. Ao todo somos 56 trabalhadores nessa situação em Rondônia”, enfatizou.

A paralisação deve ocorrer de forma parcial, com interrupções diárias de três horas, mantendo contingente mínimo para garantir a continuidade dos serviços essenciais de energia elétrica, conforme prevê a legislação.

Na pauta de reivindicações, os trabalhadores exigem a regularização imediata dos salários atrasados, pagamento integral do 13º, depósitos de FGTS pendentes — com registros de débitos desde 2024 —, correção do valor do vale-alimentação e cumprimento adequado das férias, incluindo o adicional de um terço constitucional.

Os trabalhadores afirmam que permanecem abertos ao diálogo, mas cobram providências urgentes das empresas envolvidas para evitar a paralisação e garantir condições mínimas de subsistência.

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