A população do distrito de Calama, localizado a 266km do centro de Porto Velho e acessado por transporte fluvial, começou a sentir, nesta quarta-feira (6), os efeitos da paralisação dos trabalhadores ligados à AmazonBio Indústria e Comércio de Biodiesel da Amazônia Ltda, empresa do Grupo BBF (Brasil BioFuels) que presta serviço à Energisa Rondônia.
As escolas públicas Dra. Ana Adelaide Grangeiro e General Osório, que atendem cerca de 400 estudantes de comunidades indígenas e ribeirinhas, tiveram as aulas suspensas por conta da interrupção no fornecimento de energia elétrica.
O mesmo aconteceu na Unidade de Saúde Familias (USF) Benjamin Silva, que precisou suspender temporiamente o atendimento odontológico e o serviço de vacinação, mantendo os demais atendimentos dentro das possibilidades da unidade.
A paralisação envolve funcionários terceirizados que atuam em usinas termelétricas responsáveis pela geração de energia em localidades isoladas e ocorre como forma de pressão para que sejam regularizados salários atrasados, FGTS, férias e outros direitos trabalhistas.
“O pagamento fica sempre atrasado, dois meses devendo e pagam só um. O vale-alimentação também está atrasado e o valor (R$ 250) está defasado. Nosso FGTS não é depositado desde o final de 2023, embora venha descontado em folha. Estamos praticamente à ‘Deus dará’”, afirmou um grevista em entrevista a reportagem de Rondônia Plural.
De acordo com o servidor, o fornecimento de energia passará a ser interrompido diariamente, das 6h às 18h, a partir desta terça-feira (6). A previsão é de que cerca de seis usinas permaneçam desligadas durante o período diurno, mantendo o abastecimento apenas fora desse intervalo. Além de Calama, a medida deve afetar diversas comunidades ribeirinhas e áreas ao longo da BR que dependem da geração de energia local.
Crise no Grupo BBF
A greve ocorre em meio a um cenário ainda mais amplo de crise envolvendo o grupo controlador da AmazonBio, o Grupo BBF (Brasil BioFuels). Um dos principais produtores de óleo de palma da América Latina e relevante ator na geração de energia renovável na região Norte, o conglomerado protocolou, em agosto de 2025, um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, buscando reestruturar uma dívida superior a R$ 1,2 bilhão.
O processo, que tramita na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, reúne diversas empresas do grupo — incluindo a própria AmazonBio que atua em Rondônia — e tem como objetivo viabilizar a superação da crise econômico-financeira, manter as atividades operacionais e supostamente preservar empregos.
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