Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou nesta quarta-feira (13) uma série de mensagens, documentos e comprovantes bancários que indicariam uma ligação financeira entre o pré-candidato a Presidência da República Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em novembro de 2025 sob acusação de envolvimento em um esquema de fraude que teria provocado um rombo estimado em R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
Segundo a investigação, Vorcaro teria se comprometido a financiar com 24 milhões de dólares a produção do filme biográfico “Dark Horse”, centrado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com os documentos obtidos pelo Intercept, ao menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações relacionadas ao projeto audiovisual.
As mensagens reveladas pela reportagem mostram o senador Flávio Bolsonaro atuando diretamente nas negociações com Vorcaro. Em uma conversa enviada por WhatsApp em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
O material também aponta a participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias como intermediários nas tratativas envolvendo o financiamento do longa-metragem.
A reportagem destaca que as revelações contradizem declarações públicas anteriores de Flávio Bolsonaro, que havia negado qualquer relação entre sua família, setores da direita e Daniel Vorcaro. Em março deste ano, ao comentar uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado do banqueiro à campanha presidencial de Bolsonaro, o senador afirmou à imprensa que não existia “nenhuma vinculação, nenhuma contrapartida e nenhum contato pessoal”.
Questionado presencialmente pelo Intercept nesta quarta-feira, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal, o STF, Flávio Bolsonaro negou as acusações. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, respondeu o senador antes de deixar o local.
A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação do material. Eduardo Bolsonaro também não se manifestou.
Já a defesa de Mario Frias confirmou que houve contatos entre o parlamentar e o banqueiro, mas afirmou que as conversas tratavam apenas de uma relação legítima entre os idealizadores do projeto cinematográfico e um potencial investidor privado.
Os advogados negaram qualquer atuação política ou financeira irregular por parte do deputado e sustentaram que, à época das negociações, não havia informações públicas que apontassem irregularidades envolvendo Vorcaro.
O caso amplia a crise política em torno do Banco Master e pode gerar novos desdobramentos judiciais e políticos, especialmente diante das suspeitas de financiamento privado milionário de um projeto audiovisual ligado ao núcleo político bolsonarista.
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