O aumento dos casos de sofrimento mental entre jovens tem acendido um alerta em todo o país. Para o psicólogo Adrian Jhonnson, a chamada Geração Z — composta por pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010 — enfrenta uma combinação de desafios sociais, econômicos e emocionais que ajuda a explicar os elevados índices de ansiedade, depressão e suicídio registrados nos últimos anos.

Segundo o especialista, a juventude atual convive com um cenário marcado pela falta de perspectivas e pela sensação constante de insegurança. Ele chama a atenção para os recentes casos envolvendo jovens de até 29 anos, fenômeno que, em sua avaliação, não pode ser analisado de forma isolada.

“A atual geração corre o risco de ser extinta antes mesmo do fim do mundo”, afirma. Para ele, o debate sobre saúde mental precisa considerar as condições concretas de vida da população jovem.

Jhonnson critica a narrativa de que os jovens não querem trabalhar ou seriam excessivamente exigentes. Na sua avaliação, a questão central está na qualidade das oportunidades oferecidas. “Ninguém pergunta quais são as condições de trabalho ou a remuneração oferecida”, observa.

O psicólogo destaca que muitos integrantes da Geração Z cresceram vendo os pais passarem a maior parte do tempo dedicados ao trabalho, saindo de casa antes do amanhecer e retornando apenas à noite. Essa experiência teria levado muitos jovens a buscar relações laborais mais equilibradas e humanas. No entanto, segundo ele, o mercado de trabalho não acompanhou essa mudança de expectativas.

Além das dificuldades econômicas, Jhonnson aponta outros fatores que afetam o bem-estar dos jovens, como as mudanças climáticas, a desigualdade social, os conflitos políticos e armados, a insegurança em relação ao futuro e a intensa exposição às redes sociais.

Na avaliação do psicólogo, a Geração Z é a primeira que, em muitos aspectos, enfrenta condições de vida mais difíceis do que as vividas por seus pais. “Como ficar feliz com o fim do mundo batendo à nossa porta?”, questiona.

Ele também critica a forma como reivindicações por melhores condições de trabalho, educação, saúde e políticas públicas voltadas à saúde mental são frequentemente desqualificadas como “mimimi”. Para Jhonnson, essa postura contribui para afastar os jovens dos espaços de participação e tomada de decisões.

O especialista defende uma compreensão mais ampla sobre o tema. Segundo ele, saúde mental não se resume ao acesso a tratamentos psicológicos ou medicamentos, mas envolve aspectos estruturais da vida cotidiana, como emprego, renda, transporte público, alimentação, lazer, tempo livre e esperança no futuro.

“Não há psicólogo nem remédio no mundo que possa resolver sozinho um problema que é social, político e econômico”, conclui.

Para o psicólogo, enfrentar a crise de saúde mental da juventude exige mais do que ações individuais. O desafio passa pela construção de políticas públicas capazes de oferecer condições dignas de vida, ampliar oportunidades e garantir que os jovens tenham voz ativa na definição dos rumos da sociedade.

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