A Associação Indígena do Povo Puruborá denunciou uma invasão à Escola Estadual Indígena Ywará Puruborá, localizada em território tradicional do povo, ocorrida no último domingo (2). Conforme a entidade, esta é a segunda ocorrência do tipo registrada em menos de 14 dias.
De acordo com a associação, um veículo não identificado entrou sem autorização na área da escola e seguiu até a maloca sagrada, espaço considerado de grande importância cultural, espiritual e educativa para a comunidade. Ainda conforme o relato, quatro pessoas que estavam no veículo reagiram com deboche ao serem questionadas sobre a presença no local.
A entidade afirma ainda que os invasores colocaram em dúvida a legitimidade da construção da maloca e chegaram a pedir que um morador falasse na língua materna Puruborá para “comprovar” sua identidade indígena.
Em nota pública, a associação classificou o episódio como um ato de desrespeito e afirmou que a identidade do povo não depende da validação de terceiros. “Nossa maloca não é museu de visitação”, destacou a entidade, ressaltando que o espaço representa memória, espiritualidade, ensino e resistência.
Segundo a associação, a situação ocorre mesmo após o Estado reconhecer oficialmente os riscos enfrentados pela comunidade. Apesar disso, a Escola Estadual Indígena Ywará Puruborá permanece sem muro, cercamento, iluminação e vigilância.
A comunidade também afirma aguardar há 29 dias uma resposta da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) para a realização de uma reunião considerada urgente pela liderança indígena.
Diante da nova ocorrência, o povo Puruborá voltou a reivindicar a demarcação do território tradicional, uma agenda presencial imediata com a SEDUC e a adoção de medidas de segurança para a escola, incluindo cercamento e vigilância permanente.
Na manifestação, a associação também afirmou que não aceitará que “o racismo, a intimidação e as invasões se tornem rotina” e defendeu que a proteção dos territórios indígenas é fundamental para garantir os direitos constitucionais e a segurança das comunidades.
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Foto: Reprodução/Maxajá Associação
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