Aos 26 anos, o comunicador popular Mateus Fernandes, conhecido nas redes sociais como @omateuso, dedica há cinco anos seu trabalho à promoção da participação cidadã e à aproximação de debates sobre questões raciais e ambientais da realidade das periferias. Com mais de 2 milhões de acessos mensais, Mateus também mobiliza sua audiência para o enfrentamento do discurso de ódio e a defesa da democracia.
Após se posicionar publicamente durante o segundo turno das eleições, e publicar conteúdos contrários ao discurso de ódio da extrema direita, passou a ser alvo de ameaças de morte e tortura.
Em 7 de outubro, seu endereço residencial foi exposto nos comentários de uma publicação no Facebook. Mesmo após a exclusão do conteúdo original pelo autor da postagem, os dados pessoais de Mateus continuaram circulando. Entre os dias 7 e 12 de outubro, ele recebeu oito ameaças de morte, algumas com referências à supremacia branca e a discursos nazistas.
Diante da escalada das intimidações e da exposição de seu endereço, Mateus precisou deixar a própria casa e afirma não se sentir seguro para retornar. “Eu só queria poder voltar para a minha casa, mas tenho medo de que tentem tirar a minha vida”, afirma.
Em 12 de outubro, o comunicador registrou um boletim de ocorrência após receber oito ameaças de morte e tortura. Em uma das mensagens, um usuário afirmou que sonhava em matar o influenciador e que não desistiria até encontrá-lo. Outro estabeleceu um prazo para sua morte. Houve ainda ameaças de esquartejamento e referências explícitas à Ku Klux Klan, organização racista responsável por episódios históricos de violência contra a população negra nos Estados Unidos.
A gravidade das ameaças aumentou quando os autores passaram a mencionar informações sobre a localização da residência de Mateus. Seu endereço também foi exposto em comentários na plataforma. “Essa violência não pode ser normalizada, muito menos utilizada como instrumento para silenciar quem defende a democracia”, afirma Mateus.
A representação apresentada pelo advogado Thiago Farias reúne 13 capturas de tela e aponta indícios de que os ataques possam ter ocorrido de maneira coordenada. Em 11 de outubro, Mateus denunciou à Meta os comentários com ameaças publicados no Facebook e solicitou orientações, mas não obteve resposta até o momento.
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Foto: Reprodução/@omateuso
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