O recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais que visitaram o Brasil em 2025 e o crescimento da receita gerada pelo setor estão no centro de um alerta feito por Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur. Para ele, a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao governo federal representa uma ameaça aos avanços conquistados pelo turismo brasileiro nos últimos anos. Freixo atribui os resultados à retomada das políticas públicas de promoção internacional do país durante o governo Lula e defende que os profissionais do setor considerem os impactos da eleição presidencial sobre a atividade.

“Nos últimos três anos e meio, o presidente Lula me incumbiu de presidir a Embratur, a agência brasileira que promove o Brasil no exterior. E conseguimos resultados incríveis. Por onde se anda no país, se esbarra com turista estrangeiro. Isso é fruto de um trabalho nosso, do governo Lula”, afirma Freixo.

Os números dão dimensão à mudança de cenário. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de visitantes internacionais, um crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica. Os gastos desses turistas também atingiram um recorde: US$ 7,9 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 41,7 bilhões. O desempenho reforça o peso do turismo internacional na geração de divisas, emprego e renda para a economia brasileira.

Na avaliação de Freixo, a comparação com o governo anterior evidencia a importância de uma política estruturada de promoção turística. Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, o país recebeu cerca de 3,5 milhões de turistas estrangeiros, segundo os números citados pelo ex-presidente da Embratur. Ele afirma que encontrou uma agência sem uma estratégia consistente de promoção internacional quando assumiu o cargo.

“Quando eu assumi a Embratur, ela era presidida pelo Gilson Sanfoneiro. No último ano dessa gestão, do governo Bolsonaro, o Brasil recebeu cerca de 3,5 milhões de turistas estrangeiros em 2022. O recorde brasileiro era de 6,5 milhões, muito acima do que aconteceu no governo Bolsonaro”, diz.

Para Freixo, a imagem internacional do Brasil é um ativo econômico que depende de decisões políticas. Ele aponta que os conflitos diplomáticos do governo Bolsonaro, especialmente com a França, e a postura contrária à agenda ambiental prejudicaram a percepção do país no exterior e afetaram sua capacidade de atrair visitantes.

“O principal país da Europa que, historicamente, mais mandava turista para cá era a França, seguida de Portugal. Bolsonaro criou uma série de problemas diplomáticos com os franceses, inclusive com ofensas pessoais à primeira-dama, o que fez que o Brasil saísse do radar dos franceses. As pessoas não viajam para onde elas não admiram, não para um lugar hostil. Por isso perdemos tantos turistas na gestão Bolsonaro”, afirma.

O ex-presidente da Embratur avalia que a continuidade dos resultados depende de uma combinação entre promoção internacional, relações diplomáticas, preservação ambiental e valorização dos destinos brasileiros. Na visão dele, a reconstrução da imagem do país no exterior foi determinante para ampliar o interesse de visitantes e fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global.

Freixo também critica propostas e posições associadas ao campo bolsonarista que, segundo ele, podem comprometer políticas públicas estratégicas para o turismo. Entre as preocupações, cita a defesa da privatização de praias e a possibilidade de mudanças na condução da política ambiental e das relações exteriores.

“Vocês já imaginaram se Eduardo Bolsonaro ficar responsável pelo Itamaraty? Um Ricardo Salles voltar para o Meio Ambiente e negar o aquecimento global? Você não tem medo de a gente voltar para isso? Até privatização de praia o Flávio Bolsonaro já defendeu. Você já imaginou isso? Espaços públicos tão importantes para o turismo podem virar privados. Todos os avanços que conseguimos nestes três anos e meio estão ameaçados”, alerta.

Para o ex-presidente da Embratur, o debate eleitoral precisa envolver toda a cadeia produtiva do turismo, de empresários e investidores a trabalhadores, operadores, agentes de viagens e gestores de destinos. O setor, argumenta, depende de um ambiente internacional favorável, de políticas públicas de longo prazo e da preservação dos atrativos naturais e culturais que diferenciam o Brasil de seus concorrentes.

“Por isso, quem de alguma forma trabalha com o turismo não pode nem pensar na volta dos Bolsonaro”, conclui Freixo.

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