A produção audiovisual LGBTQIAPN+ da Amazônia brasileira ganha espaço no circuito internacional com o projeto Amazônia EcoQueer, iniciativa de pesquisa e curadoria que investiga como artistas da região imaginam futuros ecológicos a partir das experiências de pessoas dissidentes de gênero e sexualidade. No dia 24 de outubro de 2026, o projeto realiza a mostra Ecologias Encantadas, no Glasgow Film Theatre, em Glasgow, na Escócia, como parte da seleção oficial de 2026 do Festival Internacional de Cinema Queer da Escócia (SQIFF).

A programação reúne filmes experimentais que aproximam questões ambientais, identidades LGBTQIAPN+, ancestralidade e as relações entre seres humanos e natureza. As obras exploram a Amazônia para além das representações tradicionais da floresta, incorporando perspectivas queer e trans, histórias coloniais, violência de gênero e formas coletivas de resistência.

Entre os temas abordados estão os encantados e outros seres espirituais presentes no imaginário amazônico, a degradação ambiental e o papel das cidades nas discussões ecológicas. A mostra também destaca o pioneirismo de artistas negras e propõe novas maneiras de compreender a relação entre comunidades, territórios e meio ambiente.

Arte amazônica no circuito internacional

A mostra Ecologias Encantadas terá curadoria de Danilo Baraúna e Xuanlin Tham, com uma introdução dos curadores e um bate-papo com Fi Halliday, gestora comunitária do Govanhill LGBTQIA+ Gardening Group. A iniciativa é realizada em parceria com o SQIFF e o Take One Action! Film Festivals, com financiamento da British Academy, instituição britânica voltada às artes, humanidades e ciências sociais.

A programação inclui produções como Febre (2022), de Rafa Bqueer; Caipora (2019), de Rafaela Correia; Ilha da autocontemplação (2020), de Allyster Fagundes; Encantarias Idílicas (2022), de Rafael Matheus Moreira e João Lucas Pedrosa; e Herança (2025), de Keila-Sankofa, com música de Rafa Militão.

Também fazem parte da seleção Corpo (in)finito? (2022), de Ramon Reis; Pretinhos do mangue (2023), de Nay Jinknss; Ilha das Sombras (2020), de Allyster Fagundes; e Nossos Passos fazem Jorra a Sede (2009), de Danielle Fonseca.

A presença dessas obras em um festival internacional amplia a circulação de produções que relacionam vivências LGBTQIAPN+ às particularidades culturais, históricas e ambientais da Amazônia brasileira.

Diversidade, ancestralidade e justiça ambiental

Sediado na Universidade de Newcastle, na Inglaterra, o Amazônia EcoQueer busca construir colaborações entre artistas e curadores para discutir gênero e sexualidade em conexão com justiça ambiental, mudanças climáticas e racismo ambiental.

O projeto parte da compreensão de que as questões ecológicas não estão separadas das desigualdades sociais. Ao reunir experiências de pessoas LGBTQIAPN+, artistas negros e indígenas e referências culturais amazônicas, a iniciativa propõe questionar perspectivas coloniais e conservadoras sobre os corpos, as identidades e os territórios.

As obras também exploram as relações entre memória, comunidades, paisagens e espiritualidade, recorrendo a narrativas ancestrais e experimentações artísticas para imaginar outras formas de convivência com a natureza.

Projeto também passou por Belém e Manaus

A circulação do Amazônia EcoQueer inclui atividades no Brasil. Em maio de 2026, o projeto promoveu a mostra Ecologias Assombradas, no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso, em Belém, no Pará, e a mostra Ecologias TransCuir, no Centro Cultural Casarão de Ideias, em Manaus, no Amazonas.

As duas programações exploraram diferentes conexões entre audiovisual, identidades LGBTQIAPN+ e imaginários amazônicos. Em Belém, a proposta abordou histórias de assombro, memória familiar, identidades, raça, gênero e feridas coloniais. Em Manaus, a discussão se concentrou nas possibilidades de aliança entre experiências trans e queer, práticas artísticas e referências culturais da região.

O projeto também realizou atividades na Inglaterra em 2025, incluindo a exposição Afetos Assombrados | Ecologias Desorientadas, na Universidade de Newcastle, e a mostra audiovisual Ecologias da Beira, na galeria Newcastle Contemporary Art.

Com atividades previstas entre 2025 e 2027, o Amazônia EcoQueer reúne artistas e instituições do Brasil e do Reino Unido para ampliar o debate sobre diversidade, produção cultural e crise ambiental a partir das experiências amazônicas.

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no site www.amazoniaecoqueer.com e no Instagram @amazoniaecoqueer.

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Foto (Capa): Herança (2025), um filme de Keila-Sankofa e música de Rafa Militão

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