A realização do concurso público da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc), aplicado no último domingo (8), tem sido marcada por uma série de denúncias de supostas irregularidades relatadas por candidatos em diferentes municípios do estado. Desde o fim da prova, grupos em aplicativos de mensagens instantâneas passaram a reunir participantes que afirmam ter sido prejudicados durante a aplicação do exame.

A reportagem do Rondônia Plural teve acesso a um desses grupos, onde candidatos relatam situações que vão desde erros no controle do tempo de prova até problemas na distribuição e manuseio dos cadernos de questões. Os participantes afirmam que estão se organizando para entrar com recursos junto à banca organizadora e, em alguns casos mais graves, há os que avaliam levar a denúncia ao Ministério Público.

Um dos casos é do candidato Fernando Miranda, morador de São Francisco do Guaporé, que fez a prova em Ji-Paraná, na Escola Rio Urupá. Segundo ele, a fiscal de sala teria informado equivocadamente o tempo restante para a conclusão da prova, o que levou ele e outros candidatos a acelerarem as respostas e encerrarem o exame antes do horário previsto no edital.

“Eu senti que o horário estava passando rápido, mas estava focado na prova, que era em inglês. Quando ela falou que faltava uma hora para terminar, eu me espantei e comecei a marcar o que dava para não deixar em branco. Depois saí da sala com o caderno de provas, porque a fiscal disse que podia”, relatou.

A situação só chamou atenção quando outro candidato comentou sobre o horário de saída permitido e ele verificou o relógio e percebeu que ainda não eram 16h quando ele deixou a sala, enquanto o edital previa a liberação dos cadernos às 16h50 e o término da prova às 17h30.

“Eles olharam o horário errado e nos tiraram quase duas horas de prova. Eu fui falar com o responsável pela banca e ele disse que eu deveria entrar com recurso. Como não sabia se isso resolveria, chamamos a Polícia e registramos um boletim de ocorrência”, afirmou.

A candidata Jéssica Costa Silva, que também realizou a prova na Sala 7 da mesma escola, relatou situação semelhante. Ela contou que a pressão pelo encerramento antecipado fez com que muitos candidatos marcassem respostas aleatórias no gabarito para evitar deixar questões em branco.

“Eu comecei pela parte de inglês e percebi que o texto estava mal estruturado, com parágrafos repetidos. Depois passei para português, que também estava difícil. Quando avisaram que faltava pouco tempo, comecei a correr contra o relógio”, disse.

Segundo ela, a situação ficou ainda mais confusa quando uma candidata deixou a sala com o caderno de provas e, logo em seguida, o coordenador chamou o fiscal para conversar do lado de fora.

“Quando voltou, o coordenador disse que ainda tínhamos uma hora de prova. Aquilo gerou revolta. Sim, ainda havia tempo de prova, mas não havia mais gabarito, porque muita gente já tinha marcado qualquer coisa para não deixar em branco”, relatou.

A Polícia Militar foi acionada no local e um boletim de ocorrência foi registrado. De acordo com Jéssica, os candidatos foram orientados a formalizar recursos junto à banca organizadora e aguardar os desdobramentos para possível denúncia ao Ministério Público.

Relatos de problemas também surgiram em outras cidades. Uma candidata que realizou a prova para o cargo de pedagogia em Vilhena, e que preferiu não se identificar, afirma que houve irregularidades no momento da distribuição das provas.

Segundo ela, após a abertura inicial do pacote lacrado — conferido por dois candidatos —, algumas pessoas perceberam que haviam recebido provas de cargos diferentes. As avaliações foram recolhidas e levadas para fora da sala por uma fiscal.

“Quando retornaram, as provas não estavam mais em envelope lacrado. A responsável entrou com as avaliações nas mãos. Isso deixou dúvidas sobre a procedência das provas, já que o correto seria abrir o pacote dentro da sala”, afirmou.

A candidata diz que preferiu não contestar o procedimento no momento por receio de ser retirada da sala ou até desclassificada do concurso.

Diante dos diferentes relatos, ela e um grupos de candidatos começaram a se mobilizar para reunir provas das possíveis irregularidades e estudar medidas jurídicas.

“Diante desse acontecimento e de tantos outros que ocorreram em outras cidades, estamos nos unindo para levar casos de irregularidades da banca ao ministério público, sendo que não é a primeira vez que a referida banca IBADE comete erros no momento da aplicação de provas”, afirmou a candidata.

“Iremos buscar medidas necessárias para o cancelamento do concurso visto que não houve transparência, inclusive os conteúdos, respostas com erros, deixando dúvidas quanto à resposta correta, o que nos prejudicaram no momento da resolução das questões na prova”, acrescentou.

Após a divulgação do gabarito, que aconteceu na última terça-feira (10), novos relatos voltaram a aparecer, dessa vez em relação a correção dos exames que supostamente estaria em contradição ao resultado do gabarito.

Enquanto isso, a mobilização nas redes e grupos de mensagens continua crescendo, reunindo participantes que pedem investigação e, em alguns casos, até o cancelamento do concurso.

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