A intenção da Empresa de Desenvolvimento Urbano (EMDUR), ligada a Prefeitura de Porto Velho, de renomear a tradicional Praça Padre João Nicoletti como “Praça da Justiça”, dentro do projeto de revitalização do espaço público, mobilizou a Associação Cultural Rio Madeira (ACRM), que considera a proposta uma ameaça ao patrimônio histórico e à identidade cultural da capital rondoniense.

Segundo a entidade, representantes da associação participaram de duas reuniões com o presidente da EMDUR, Bruno Oliveira de Holanda, nas quais manifestaram oposição à mudança da denominação do logradouro.

A ACRM sustenta que a preservação do nome original é indispensável para manter viva a memória de uma das personalidades mais importantes da formação histórica de Porto Velho.

A posição também foi formalizada por meio do Ofício nº 007/2026, encaminhado à EMDUR e ao prefeito de Porto Velho, Léo Moraes. No documento, a associação argumenta que a praça possui relevância histórica desde antes de sua inauguração oficial, ocorrida em 1966, e lembra que a área foi destinada por lei municipal, ainda em 1937, para receber o nome de Praça João Nicoletti.

De acordo com a entidade, Padre João Nicoletti foi um dos principais responsáveis pela consolidação da presença da Igreja Católica em Porto Velho. Missionário italiano, chegou à região em 1927 e participou da construção da Catedral Sagrado Coração de Jesus, do antigo Colégio Dom Bosco, do Colégio Maria Auxiliadora e do Hospital São José, tornando-se uma das figuras mais influentes da história local.

No entendimento da Associação Cultural Rio Madeira, substituir o nome da praça por “Praça da Justiça” significaria desconsiderar o valor simbólico e cultural do espaço. A entidade defende que eventuais homenagens ao Poder Judiciário podem ser incorporadas ao projeto arquitetônico, desde que seja preservada a denominação histórica do local.

Além da manutenção do nome, a associação reivindica a recolocação do busto de Padre João Nicoletti na praça e a retirada da estátua do Almirante Tamandaré, instalada posteriormente no espaço.

Apesar da posição firme contra a mudança de nomenclatura, a ACRM ainda discute internamente qual será sua estratégia nas próximas negociações com o poder público.

Uma corrente da entidade admite construir um entendimento com a administração municipal, desde que sejam atendidas três condições consideradas essenciais: manter o nome Praça João Nicoletti, reinstalar o busto do religioso e retirar a estátua de Tamandaré.

Outra ala, porém, defende uma postura mais rígida e entende que não deve haver qualquer concessão à Prefeitura, sob o argumento de que a Constituição já impõe ao poder público o dever de preservar os bens históricos e culturais do município.

A definição da estratégia será discutida em reunião interna da associação antes de um novo encontro com a direção da EMDUR.

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2 respostas a “Mobilização busca impedir mudança de nome da Praça Padre João Nicoletti em Porto Velho”

  1. Avatar de ZecaBerlange

    A ACRM está propondo que a autoridade executiva municipal realize esforços e investimentos no sentido de garantir a preservação da Praça Pe. João Nicoletti – mantendo o nome legalmente e a estátua legalmente inaugurados nos idos de 1966 – sugerindo que a estátua do heroico Almirante Tamandaré seja cerimonialmente transladada para a praça do mirante do Rio Madeira. O executivo informa que já tem um novo projeto para revitalizar a praça: nem o almirante e nem o padre. Vai destiná-la a homenagear o Judiciário.

    Não é crível que o judiciário estadual ou federal tenha tomado a iniciativa de manifestar tal pretensão. A uma, porque tal pretensão colide frontalmente com o artigo 216 da Constituição de 1988 que obriga à preservação, enquanto tal substituição implicará a destruição – material e imaterial – de um patrimônio histórico e cultural que conecta com a identidade beradeira.

    A duas, porque o prefeito não é o dono do patrimônio público. Não dispõe de liberdade de escolha unilateral nesse assunto. É obrigado a compartilhar a decisão com a comunidade.

    A ACRM é quem se apresentou (como tem feito nos últimos 20 anos) para representar os interesses memoriais dos pioneiros e de seus descendentes.  Não há um racha na ACRM. Há unidade forte quanto ao objetivo final: a preservação da praça e da estátua de João Nicoletti. O que há é uma aparente divergência quanto aos escopos da negociação e quanto o tempo que se pode empregar na fase do diálogo. Os escopos são os da legalidade: a constituição obriga ao prefeito preservar o patrimônio em jogo. A ala do ‘jurismo’ defende a intransigência com princípios e normas constitucionais. Então, não há margem para negociação quanto ao fim, mas apenas quanto aos meios a serem empregados (recursos financeiros, tecnológicos, humanos e jurídicos). A ala que se identifica como diplomática tem uma percepção mais elástica do processo. Mas a pretensão do Executivo em querer deslocar a estátua e o espaço de João Nicoletti para o interior dos muros da ‘Catedral’ entra em tensão com a posição da ACRM. Dado o conflito, só há dois caminhos para a saída. O Consenso ou a Força. O diálogo é a fase que visa solução consensual na via administrativa. Como não podemos transigir com a legalidade, se o diálogo falhar, deflagra-se a fase de judicialização do conflito. A ACRM está obrigada a recorrer à força institucionalizada nas funções do Ministério Público e do Judiciário. A entidade vai exigir o cumprimento da lei. Então, o que aparenta ser uma ‘divisão’ é apenas uma questão tático-operacional. O fato é que a turma que se orienta pelo ‘jurismo’ está com o pavio curto. Dialogo produtivo (sobre uso dos meios), sim. Conversa fiada (desvio de finalidade), não.

  2. Avatar de EDSON MUGRAVE DE OLIVEIRA
    EDSON MUGRAVE DE OLIVEIRA

    Porto Velho/RO, 30 de junho de 2026

    Manutenção do nome Padre João Nicoletti a sua praça em frente da Catedral.

    O Almirante Tamandaré é um herói nacional da Guerra do Prata e do Paraguai, merecedor de monumento, melhor na beira do rio Madeira, na Praça da EFMM ou no pátio da Capitania dos Portos.

    E a EMDUR se quer homenagear a Justiça pelos seus “relevantes serviços”, somos e estamos de acordo, desde que na Sede do Tribunal de Justiça/TJ.

    Que seja removido o estátua do Almirante Tamandaré, retorno do busto e a continuidade do nome de Praça Padre João Nicoletti.

    Edson Mugrabe Oliveira

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