Há quase cinco décadas, a Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Dom João VI faz parte da história das famílias que vivem na zona rural de Colorado do Oeste. Localizada na região do KM 13, na BR-435, a escola chegou a ter o futuro colocado em dúvida no segundo semestre de 2025, quando a comunidade foi informada de que a unidade poderia deixar de funcionar a partir de 2026.
Hoje, o cenário é outro. A Dom João VI continua de portas abertas, atendendo a comunidade rural. O prédio recebeu pintura e passou por reparos, dando novas condições para que professores e estudantes continuem ocupando um espaço que, para os moradores, representa muito mais do que uma unidade de ensino.
A permanência da escola é também resultado de uma mobilização que reuniu pais, estudantes, professores e moradores em defesa do direito de continuar estudando perto de casa.
Em agosto de 2025, a possibilidade de encerramento das atividades provocou reação imediata. Em reunião realizada no dia 29 daquele mês, representantes da Secretaria Municipal de Educação haviam apresentado como justificativas para a medida a baixa demanda de matrículas, o custo de manutenção e uma proposta de reorganização da rede municipal.
A notícia, porém, não foi bem recebida pela comunidade. Pais e moradores se organizaram, produziram um manifesto e buscaram órgãos públicos para questionar a decisão. A mobilização também chamou a atenção para a importância da escola para a permanência das famílias no campo e para a própria história da região.
Na época, um pai ouvido pela reportagem de Rondônia Plural e que preferiu não se identificar resumiu o sentimento da comunidade ao afirmar que a escola era uma forma de resistência do campesinato e um espaço fundamental para o futuro das crianças.
A reação dos moradores mostrou que a escola Dom João VI não era vista apenas como um endereço onde aconteciam as aulas. A escola fazia parte da vida da comunidade.
Fundada em 1977, a unidade foi construída ao longo de décadas com a participação dos próprios moradores, por meio de festas, doações e trabalho voluntário. Gerações passaram por suas salas de aula. Avós que estudaram ali viram filhos e netos ocuparem os mesmos espaços.
Por isso, a possibilidade de fechamento mobilizou uma comunidade inteira.

Uma escola que permanece
A mudança de cenário demonstra a força que a mobilização coletiva pode ter diante de decisões que afetam diretamente a vida de uma comunidade.
A pressão dos pais e moradores foi fundamental para que a Prefeitura de Colorado do Oeste e a Secretaria Municipal de Educação reavaliassem a possibilidade de encerramento das atividades.
Nesse processo, também merece reconhecimento a sensibilidade do prefeito Edmilson Rodrigues de Almeida, o Edinho da Rádio, e da secretária municipal de Educação, Elizângela Lima Oliveira, diante da mobilização da comunidade.
A decisão de manter a Dom João VI em funcionamento permitiu que uma escola histórica continuasse cumprindo sua função social e educacional.
Mais do que preservar um prédio público, manter a unidade aberta significa garantir que crianças da zona rural possam continuar tendo acesso à educação em seu próprio território, próximas das famílias e da comunidade onde vivem.
Professores que não desistiram
A permanência da escola também passa pelo trabalho dos profissionais da educação. Mesmo diante da incerteza vivida no período em que o fechamento estava sendo discutido, os professores permaneceram em sala de aula, mantendo o compromisso com os estudantes.
Enquanto a comunidade se mobilizava para defender a permanência da unidade, os professores continuavam fazendo aquilo que sabem fazer: ensinando.
É uma atuação que merece ser reconhecida porque, em momentos de insegurança, manter a rotina escolar também é uma forma de resistência.
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe uma resposta